Sunday, July 27, 2008

Vícios trí-bacanas, tchê.


Algo inspirado em um apaixonante tamboreno sulista (instrumento de cordas cuja melodia é audível para alguns somente):

Não há nada como uma tira de plástico de bolhas. Uma válvula de escape, um verdadeiro passatempo inusitado. Inusitado já que não criaram o plástico de bolha com o fim que ele acabou destinado.
Creio eu existirem aos montes os denominados "paranóicos do plástico de bolha"...que chegam nas lojas pedindo coisas frágeis só para ganharem o plástico junto. Chegam a deixar o vaso em cima do balcão e sairem sorrindo e estourando bolhas.
Afinal, ninguém sabe aonde é vendida tal especiaria. Nunca vi uma loja vendendo plástico de bolhas por metro...sua venda deve ser proibida no perímetro urbano em alguma cláusula secreta em prol da sanidade.
Enfim, imaginem a cena de um grande rolo de plástico de bolhas: As pessoas ficariam horas sentadas até a última bolha, abandonando suas famílias e seus trabalhos, ou se jogariam, rolando em cima, ensandecidas.

Achei um simulador para aqueles que precisam se consolar quando a diversão acaba. (0 som é o melhor)

Plástico de bolhas

Wednesday, June 18, 2008

Daqui pra lá, de lá pra cá.

"O homem é um animal que não deu certo. A verdadeira evolução deve estar se processando em outra espécie, a nossa foi um começo falso que esqueceram de cancelar. Como o hipopótamo. Fizeram uma experiência, foi isso. Deixa ver: um bípede, com um dedão opositor, nariz aqui, boca ali, um cérebro dedutivo, autoconsciência, imaginação para anedotas e um furor no corpo...não, não. Não vai dar certo. Corta esse. Mas não cortaram! O homem permanece e se procria, iludido de que a criação é com ele, que ele é o fim e a razão em vez de um equívoco do processo. Não podia dar certo.
O processo esqueceu de nós. Vai ver a verdadeira evolução já veio e já foi, alguma outra raça já está com o Universo. Sobraram na Terra as tentativas descartadas. O hipopótamo, o homem, a tartaruga, os ciprestes, o rebutalho da grande experiência. Mas só o homem com a danação da autoconsciência. Foi a grande anedota que pregaram no homem, a de lhe darem cosmogonia (o hipopótamo não tem uma cosmogonia) e no fim lhe negarem o Universo. Aparelharam o homem para compreender a evolução e a razão de todas as coisas e ele se vê condenado a compreender a si mesmo, uma péssima troca."

(Luís Fernando Veríssimo - Terrível)

Era um pacato cidadão sem documento; não tinha nome, profissão, não tinha tempo.
Mas certo dia deu-se um caso e ele embarcou num disco e foi levado pra bem longe do asterisco em que vivemos. Ele partiu e não voltou; e não voltou porque não quis.
Quero dizer, por lá ficou já que por lá se é mais feliz.
E um espaçograma ele enviou pra quem quisesse compreender; mas ninguém nunca decifrou o que ele mandou dizer: "Terra, mar e atenção; o futuro é hoje e cabe na palma da mão"
Para azar de quem não sabe e não crê que se pode sempre a sorte escolher; e enterrar qualquer estrela no chão.
"Terra, mar e atenção; fica a morte por medida, fica a vida por prisão"

(Zeca Baleiro - Fagner)

Friday, May 30, 2008

Ode a um fim inevitável...

O quão estúpido somos - ou gostamos de ser;



Pq a vida não vem com um manual de instrução...e não pense que ela deveria. Ela não vem pq ela é simplesmente, ridiculamente, clara e óbvia...nós é que não somos inteligentes o suficiente para entendermos. E criamos e inventamos e agimos como se tudo fosse uma grande interrogação, quando, no fundo, a resposta sempre existiu diante dos nossos olhos tão voluntariamente cegos.

Manipulamos inconscientemente uma realidade que justificamos como destino, acaso, sorte. Nossos infortúnios não passam de uma consequência de uma escolha dita involuntária, mascarada com boas intenções e com uma ingenuidade premeditada. É um crime que cometemos contra nós mesmos e procuramos justificar passando a culpa para a vida. Afinal de contas, nada mais fácil do que convencer a si mesmo de sua inocência, sabemos a quais argumentos somos suscetíveis, vulneráveis. Somos incapazes de admitirmos que os erros são nossos e não de alguma força superior invisível.

Não nego que Chico tinha certa razão quando falava da roda-viva da vida. Mas acredito que a influência do acaso é bem inferior ao que é dito por aí. Abusamos da justificativa para nos isentarmos do peso da culpa, do peso de assumirmos que somos, simplesmente, burros e que a consequência era previsível, porém preferimos errar... talvez para dinamizar o estático, talvez para viver o presente, mas conscientemente.

Poupemos a sorte para a mega-sena que não jogamos e sejamos mais fortes para assumirmos a autoria das cagadas da vida. Afinal de contas, seremos mais serenos e mais humildes, mais honestos e aprenderemos realmente com os percalços no caminho.


Saturday, April 19, 2008

Trinca, trinômio, tríade,...

Pé em Deus
e
Fé na tábua.
(Cantem direito, caralho!)



Multidões são coisas bastante peculiares. A heterocomposição de uma multidão em um show gratuito pode te dar sensações diferenciadas a cada metro explorado.
Nos primeiros passos, policiais com cachorros grandes e simpáticos. Vc se pergunta se ainda está com o cheiro daquele bife do jantar, com medo de atrair o singelo bichano e suas fungadas instintivas e ser confundida com uma traficante de drogas de alta periculosidade.
Em seguida, vc é revistada gentilmente e, se eles possuem detectores, ótimo!...se não...PUTZ! Com as mulheres, se vc pegar uma daquelas Tiazinhas-machão que enfiam a mão com toda a delicadeza inerente a um rinoceronte em fúria, vc sairá meio desconcertada, com exclamações do tipo "caráleo, fui abusada sexualmente!"
Ao adentrar o local do show, vc certamente se deparará, mais cedo ou mais tarde, com um grupo de pregos. Aqueles secos que estão parados estrategicamente, prontos para dar o bote ou soltar uma daquelas cantadas que te dão náuseas. Vc passa, entre o grupo, por falta de opção (a posição é realmente estratégica) e os seres, desprovidos de qualquer tato: "oi, princesa! (....porraaaaa...princesa é muito decadente) - vc finge que não escutou, olha para o alto, dá uma de autista e o cara, famoso "porre da meia-noite", insiste em mais uma atitude desesperada "powww, gatinha, vem aqui", puxando seu braço, para não dar margem a uma fuga alternativa. Nesse momento, vc se pergunta quem é o energúmeno que está tocando sua pele. Pela cabeça, várias opções se passam como "vá tomar no $@#%$#, seu acéfalo!"...em dias de TPM, essa frase flui naturalmente. Em momentos mais diplomáticos, vc tira seu braço das mãos do inimigo de forma um pouco mais brusca, sorri amarelo (prêmio de consolação para o babaca) e acelera na luta para avançar entre pés e corpos do grupo de galanteadores natos, em busca da tão almejada liberdade.
Meia hora depois dessa batalha, já transpirando com o calor humano caracterizador de multidões, vc procura enxergar o cantor/banda que, supostamente, está lá. Supostamente pq, afinal de contas, vc não consegue ver. Um vulto no meio do palco, é isso que sua visão míope consegue visualizar. O som, abafado pelo blablabla de pessoas que nem gostam da banda e só estão lá pq é de graça e querem socializar.
Nesse meio tempo, sua paciência se esgota, juntamente com a animação inicial que foi por água abaixo. Chega o momento de entrar em contato com os conhecidos (nesses eventos, todo mundo
diz que vai e todo mundo diz que vai te ligar qdo chegar lá). Vc retira o celular, se perguntando se ele ainda está na bolsa e, se vc não teve a má sorte, começa a tarefa herculéia de se comunicar nesse turbilhão. Liga uma vez, o ser atende, vc grita "VC TÁ AONDE?" e, desesperadamente, escuta um murmúrio:
"- Tôôôôôô do lado esquerdo do palco"
E vc tenta traduzir e, grita:
"- AONDEEEEE???"
E o outro, sem entender bulhufas tb:
"- vc tá aondeeee???"
Vc desiste de entender, desliga sem dizer tchau (seus créditos já foram pela metade) jura que ouviu algo como "lado esquerdo" e começa a procurar. Vc luta por um espaço, levanta a cabeça entre as pessoas e entende, finalmente, que o lado esquerdo possui duas mil pessoas.
Desiste de procurar e, quando o show acaba (ou vc - o que vier primeiro), encontra todo mundo que procurou o show inteiro e entende que o melhor mesmo é só chegar no final desses eventos.


Thursday, April 03, 2008

Reticências

2008 chegou me consumindo por completo.

Em um espirro solto esse texto:

Comecei a trabalhar e crescer tem me parecido assustador. Um diploma acenando ao longe e as responsabilidades que só aumentam. Como as pessoas não falecem de úlcera aos 40?
A minha maior dúvida no momento é...quando o mercado de trabalho pára de consumir nossas energias e nos deixa livre para respirar e viver?
A aposentadoria chega quando vc sente dores nas juntas e não aguenta mais grandes emoções. Beirando o caixão, a vida recomeça cheia de oportunidades mas as ferramentas para o pleno usufruto foram levadas com o tempo.
Capitalismo selvagem, vida, louca vida, vida breve. Todos os clichês e frases famosas começam a fazer sentido.

(...)

...e deixa o tic-tac me levar.


Ouça meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com o meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que
Não se vai ao longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade.

Thursday, November 22, 2007

Le temps passe plus vite que moi...


Dizem que disseram os mais sábios: Sabedoria é ter o plano A, o B caso o A não ocorra e um C ou D, caso nenhum outro funcione. Passamos a vida inteira mensurando o que será que será, as possibilidades de tudo dar errado no final. E vivemos com esse medo do amanhã, deixando de lado o que o agora nos reserva. Aquele clichê do Carpe Diem, tão batido de boca em boca, não passa, na maioria das vezes, do plano ideal.
Quando não é o passado que nos atormenta, é o futuro.

Pq viver no presente é assim, tão difícil?

...

Monday, November 05, 2007

Last waltz...


"I figured out so many things travelling, I learned about life, I learned about myself, I heard secrets and answers to questions I've had before...but there's just one mistery I could never solve...why my heart couldn't let go of you"


(O ilusionista)


Entre filmes mil nessas férias tediosas, paro pra pensar nas coisas que não consegui deixar no passado. Até onde vai o apego à lembranças e momentos que não voltam mais...?

É tão difícil assim entender que o futuro, que depende inteiramente de você, será melhor do que o que passou pelo simples fato de que vc tem mais experiência de vida e a cabeça mais aberta pra o mundo..?

Certas coisas que carregamos na pele exigem um pouco mais do que o tempo para nos deixar...um pouco mais de vontade, um pouco mais de sorte, talvez.

Friday, October 19, 2007

Vícios de linguagem...


Eu subo pra cima, você desce pra baixo, eu entro pra dentro e você sai pra fora.
Atingindo a epifania, me pergunto a mim mesma: viciados em palavras, em fumaças, em notas musicais, em bebidas, em jogos, em números, em substâncias... mas... em erros?!
Acredito que se diagnostica o vício em errar quando ele foi previsto, pensado e repensado e, ainda assim, realizado. É como se o fazer certo não despertasse tantas emoções, nem dinamizasse o estático. Além do que, o viciado em erros, não se reconhece sem tropeçar ou fazer buracos...é quase como se perdesse sua identidade. Ou como se não se reconhecesse como humano..afinal já caracterizamos e associamos o erro ao fato de ser e existir..logo, não faria parte.
Como nada que provoca dependência é bem visto, escondo-me com minhas barras de chocolate, minhas notas musicais favoritas e minha coleção de erros. E que joguem a primeira pedra...

Sunday, October 14, 2007

Poesia em imagens


"Et tu étais admise bien sur
Tu as quitté Boston pour aménager à Paris
Un petit appartement dans la rue de Faubourg Saint-Denis
Je t'ai montré notre quartier
Mes bars, mon école,
Je t'ai présenté à mes amis, à mes parents
J'ai écouté les textes que tu répétais
Tes chantes, tes espoirs, tes désirs, ta musique
J'ai écouté la mienne
Mon italien, mon allemand, mes strippes de russe
Je t'ai donné un walkman
Tu m'as offert un oreiller

Et un jour,
Tu m'as embrassé
Le temps passait
Le temps filait
Et tout parait si facile
Si simple, libre
Si nouveau et si unique
On allait au cinéma
On allait danser
Faire des courses
On riait, tu pleurais
On nageait, on fumait
On se rasait,
De temps à autre
Tu criais
Sans aucune raison
Ou avec raison parfois
Oui, avec raison parfois
Je t’accompagnais au conservatoire
Je révisais mes examens
J'écoutais tes exercices de chant
Tes espoirs, tes désirs,
Ta musique
J'écoutais la mienne
Nous étions proches
Si proches
Toujours plus proches
Nous allions au cinéma
Nous allions nager
Rions ensemble
Tu criais,
Avec une raison parfois

Et parfois sans
Le temps passait
Le temps filait
Je t’accompagnais au conservatoire
Je révisais mes examens
Je m'écoutais parler italien, allemand, russe, français

Je révisais mes examens
Tu criais
Parfois avec raison
Le temps passait
Sans raison
Tu criais
Sans raison
Je révisais mes examens,
Mes examens,
Mes examens,
Mes examens.
Le temps passait
Tu criais
Tu criais
Tu criais
J’allais au cinéma.. "

(True - Paris, Je t'aime)

http://www.youtube.com/watch?v=ElEbcBHCrwA

Friday, October 05, 2007

Espera chegar no refrão!

Finalmente terminei de ler o livro de Luis Fernando Veríssimo que se materializou no meu guarda-roupa. (Sim, existe um portal mágico para as prateleiras da Siciliano - caso o livro seja seu, não venha estragar minha fantasia..já pedi pelo "Caçador de pipas" e tenho a ctz de que ele vai aparecer)
O nome do livro é "O jardim do diabo", o primeiro romance do ilustríssimo. Tinha cá minhas interrogações quanto ao desempenho do Sr. Veríssimo nesse gênero...mas gênio que se preze, é mestre em contos, romances, poesias, obituário de jornais, bula de remédio ou folhetim das Lojas Americanas.
Outra coisa que anda se materializando aqui em casa (digo isso quando desconheço a procedência ou não quero lembrar) são as revistas Caras. Como não aprecio muito aquela coisa de ver todos ricos, felizes e sem problemas (já me saturei com os contos-de-fada da Disney) eu só folheio vagamente, pelo prazer de virar páginas ou por gostar do desafio de procurar algo verdadeiramente interessante lá dentro (façanha para poucos). Quando, um dia, me surpreendo com o meu querido amado na Capa. Olhei duas vezes, acho que três, para me certificar. Sim, era ele, tocando Sax. Procuro o mesmo entre páginas de Carlas Perez ou Bundchens, até visualizar meu ídolo gordinho sorridente. Fiquei alguns minutos imaginando o que ele estava fazendo ali..(é como encontrar uma receita de bolo em um livro científico) e me surpreendi quando encontro uma frase do mesmo dizendo que preferia tocar à escrever. Como não escutei suas notas musicais, bato o pé e prefiro suas palavras.

Um trecho desse último livro:

"O tempo passa, as pessoas mudam, é uma tragédia.
É isso, a tragédia é que o tempo passa. A tragédia humana é essa. O tempo é o instigador, o tempo é o assassino, o tempo é o profanador. É por isso que a inocência é impossível. Só o atemporal é inocente e nada é atemporal, tudo acaba aviltado pelo tempo. E pela certeza da morte, que é o último crime do tempo."

Friday, June 01, 2007

O haver..

"Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
essa intimidade perfeita com o silêncio.
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo.
Perdoai: eles não têm culpa de ter nascido.
Resta esse antigo respeito pela noite
esse falar baixo
essa mão que tateia antes de ter
esse medo de ferir tocando
essa forte mão de homem
cheia de mansidão para com tudo que existe.
Resta essa imobilidade
essa economia de gestos
essa inércia cada vez maior diante do infinito
essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons
esse sentimento da matéria em repouso
essa angústia da simultaneidade do tempo
essa lenta decomposição poética
em busca de uma só vida
de uma só morte
um só Vinícius.
Resta esse coração queimando
como um círio numa catedral em ruínas
essa tristeza diante do cotidiano
ou essa súbita alegria ao ouvir na madrugada
passos que se perdem sem memória.
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
essa imensa piedade de si mesmo
essa imensa piedade de sua inútil poesia
de sua força inútil.
Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
de pequenos absurdos
essa tola capacidade de rir à toa
esse ridículo desejo de ser útil
e essa coragem de comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade,
essa vagueza de quem sabe que tudo já foi,
como será e virá a ser.
E ao mesmo tempo esse desejo de servir
essa contemporaneidade com o amanhã
dos que não tem ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar,
de transfigurar a realidade
dentro dessa incapacidade de aceitá-la tal como é
e essa visão ampla dos acontecimentos
e essa impressionante e desnecessária presciência
e essa memória anterior de mundos inexistentes
e esse heroísmo estático
e essa pequenina luz indecifrável
a que às vezes os poetas tomam por esperança.
Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
na busca desesperada de alguma porta
quem sabe inexistente
e essa coragem indizível diante do grande medo
e ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer
dentro da treva.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
de refletir-se em olhares sem curiosidade, sem história.
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho,
essa vaidade de não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento
esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável.
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
e esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte
esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada,
ela virá me abrir a porta como uma velha amante
sem saber que é a minha mais nova namorada." (Vinícius de Moraes)

youtube: http://www.youtube.com/?v=u6LcZfStlfc

Saturday, May 26, 2007

Volare, ôÔ...cantare!


Em momentos finais de embriaguez já um tanto nostálgica, começamos a nos despedir de Lyon. Sem saber direito o que o destino nos reserva na próxima esquina, se um retorno em breve, um retorno ao longe, um adeus...sei lá.
E perguntas girando na cabeça, medos percorrendo as veias, ansiedades e saudades, uma mistura, verdadeira bomba atômica.
E o Brasil, colorido, dá a chamada final e nos espera. E é a gente pedindo pro tempo párar, ir mais devagar..
E os amigos dizem "volta logo", a família pede "vemmmmmm" e o coração preso em algum canto nessa França, sem querer partir.
Devia eu já ter me habituado a essa minha vida que sempre foi tão cigana. Nesse meu circo da vida, já empacotei minhas lembranças, em média, dez vezes. E sempre começando do zero, às vezes do um ou do dois, mas nunca muito mais do que isso.
Enquanto não sou intimada pela TAP para partir, vou em uma fonte em Roma, com o meu pedido ao lado.
E deixa a vida me levar...

Tuesday, April 17, 2007

Nem cinco minutos guardados...

Teus olhos querem me levar
Eu só quero que você me leve
Eu ouço as estrelas
Conspirando contra mim
Eu sei que as plantas me vigiam do jardim...
As luzes querem me ofuscar
Eu só quero que essa luz me cegue
Nem cinco minutos guardados dentro de cada cigarro
Não há pára-brisa pra limpar, nem vidros no teu carro
O meu corpo não quer descansar
Não há guarda-chuva contra o amor...
O teu perfume quer me envenenar
Minha mente gira como um ventilador
A chama do teu isqueiro quer incendiar a cidade
Teus pés vão girando igual aos da porta estandarte
Tanto faz qual é a cor da sua blusa
Tanto faz a roupa que você usa
Faça calor ou faça frio
É sempre carnaval no Brasil
Eu estou no meio da rua
Você está no meio de tudo
O teu relógio quer acelerar,
Quer apressar os meus passos
Não há pára-raio contra o que vem de baixo
Tanto faz qual é a cor da sua blusa
Tanto faz a roupa que você usa
Faça calor ou faça frio

Friday, March 23, 2007

Umas e outras...

"Por isso às vezes ela cansa e senta um pouco pra chorar,
Que dia, poxa, que vida danada, tem tanta calçada pra se caminhar..."



Em uma daquelas noites em que os olhos pesam, o corpo pede descanso mas sua mente, inquieta, não se rende.
E não sabe o que se passa, talvez seja mesmo tal confusão que não a faça se entregar assim.
Um aperto no peito, um vazio de sabe-lá-oquê, tempos difíceis, crescer...
Sentindo falta da terra do nunca que crio para me refugiar dessa vida que pode ser duramente real...mas não consigo encontrá-la.
E cada um em busca de algo pra se reafirmar, ao observar o mundo, dou-me conta da loucura inerente a cada um. E como somos inseguros, como precisamos de reconhecimento, como somos carentes do próximo mas ignorantes e orgulhosos o suficiente para negarmos!
E é o mundo todo querendo demonstrar seu valor mas, na verdade, não com o objetivo de convencer e ser valorizado pelos outros e sim para, na aprovação alheia, provar a si mesmo...somos tolos, às vezes patéticos.
E meu pai sempre disse que eu tinha vocação para ser veterinária.
É, os pais sempre têm razão.

Wednesday, February 14, 2007

Il va pleuvoir...

Vai chover de novo,
deu na tv que o povo já se cansou de tanto o céu desabar,
E pede a um santo daqui que reza a ajuda de Deus,
mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim,

Vem cá que tá me dando uma vontade de chorar,
Não faz assim, não vá pra lá, meu coração vai se entregar à tempestade

Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?

Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem,
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar,

Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha tv que eu vou de vez,

Não há porque chorar por um amor que já morreu,
Deixa pra lá, eu vou, adeus.
Meu coração já se cansou de falsidade

Friday, February 02, 2007

Eu me perdi em algum atalho no caminho...

E não dá pra entender como a vida parece rir de nossa cara às vezes. De show de Truman à eu queria ser John Malcovich, tudo vem sempre com um tom de realidade irreal.
Por mais que queiramos o controle, façamos planos, como diria Chico, vem sempre a roda-viva e carrega o destino pra lá. E nessas horas, fecho os olhos como alguém que tenta acordar!
Nem sei mais o que bate, não me pergunto mais o porquê. Simplesmente, eu não quero mais entender...

Saturday, January 06, 2007

Besame mucho

Resoluções de ano novo, clichê anual. Desde regimes, mais esportes, parar de fumar e beber..aquela velha ilusão de colocar um marco no tempo e decidir que tudo será diferente a partir de então. Sempre disse não por não acreditar, mas esse ano quis fazer parte do clichê.
Quero que seja diferente e sei que esse querer faz diferença. Retrospectivas me levam a pequenas dores e arrependimentos irreversíveis mas, ao mesmo tempo, a ter mais cautela e não me deixar mais tão vulnerável.
Cada passo pensado, escudo sempre à frente e valores bem fixos na mente.
E de mais em mais, descobri que o calor espanhol faz milagres. Agora, com mais um idioma fluente (hahahaha) (gracias, feliz año nuevo, valla), aprendi que nunca se pode cortar o cabelo com alguém incapaz de compreender sua língua ou vice-versa. Não me perguntem como descobri isso, só sei que Chitãozinho, no início da carreira, fala por mim.
E viajar, trens, estações, albergues. Pessoas. Pessoas. (É, meu sonho se realizando.)

Sunday, December 17, 2006

À quoi ça sert l'amour?

...

A quoi ça sert l’amour ?
On raconte toujours
Des histoires insensées
A quoi ça sert d’aimer ?

L’amour ne s’explique pas !
C’est une chose comme ça !
Qui vient on ne sait d’où
Et vous prend tout à coup.

Moi, j’ai entendu dire
Que l’amour fait souffrir,
Que l’amour fait pleurer,
A quoi ça sert d’aimer ?

L’amour, ça sert à quoi ?
A nous donner d’la joie
Avec des larmes aux yeux…
C’est triste et merveilleux !

Pourtant on dit souvent
Que l’amour est décevant
Qu’il y a un sur deux
Qui n’est jamais heureux…

Même quand on l’a perdu
L’amour qu’on a connu
Vous laisse un gout du miel -
L’amour c’est éternel !

Tout ça c’est très joli,
Mais quand tout est fini
Il ne vous reste rien
Qu’un immense chagrin…

Tout ce qui maintenant
Te semble déchirant
Demain, sera pour toi
Un souvenir de joie !

En somme, si j’ai compris,
Sans amour dans la vie,
Sans ses joies, ses chagrins,
On a vécu pour rien ?

Mais oui! Regarde-moi !
A chaque fois j’y crois !
Et j’y croirait toujours…
Ça sert à ça l’amour !

Mais toi, tu es le dernier !
Mais toi’ tu es le premier !
Avant toi y avait rien
Avec toi je suis bien !

C’est toi que je voulais !
C’est toi qu’il me fallait !
Toi que j’aimerais toujours…
Ça sert à ça l’amour !

(Edith Piaf)

Um doce de clipe: http://www.youtube.com/watch?v=p1Te8ldI9ys (tentei fazer o link, mas não funcionou, desolé!)

....

Sunday, December 10, 2006

Bombril.

Digo não à mesmice, mas me surpreendo às vezes por tanto me surpreender.
Os dias que não possuem 24 horas, mas 12, produzem uma busca incessante pelos segundos que escorrem entre meus dedos.
Adoro coisas multi-uso. Nada como uma caneta que se transforma em um lápis e possui uma borracha em seus recônditos. Pq não um ursinho que se transforma em travesseiro ou uma mala em porta-casacos? Eu, em menina forte e decidida? ...

É, era de mudar. E tudo é novo dentro de mim!

Monday, November 13, 2006

Allez danse, danse, viens dans mes bras...

Allez danse, danse, viens dans mes bras,
Allez tourne, tourne, reste avec moi,
Allez partons vite si tu veux bien, dès le jour,
Le soleil brille très haut tu sais,
Mais j’aime ça, je t’attendais
Alors partons vite si tu veux bien, Sans retour…

Ris plus fort et parle-moi
De nos projets, de nos rêves tout ça
Donne-moi la main, embrasse-moi, mon amour
Le temps comme ami, moi je veux bien
Mais les amis ça va, ça vient,
Alors partons vite brûler le jour et la nuit

Evidemment, tu l’aimes encore,
Je le vois bien tu sais, et puis alors ?
Mais pour l’instant ferme tes yeux, passe ta main dans mes cheveux.

Je veux entendre, ton cœur qui bat, tu sais, je crois qu’il chante pour moi
Mais en douceur comme ça tout bas, comme un sourd
Mon cœur lui s’emballe, il vole haut, peut être un peut trop haut pour moi
Mais je m’en fou, je suis vivant pour de bon

Allez danse, danse, regarde-moi
Allez tourne, tourne, ne t’arrête pas
Allez partons vite, si tu veux bien, dès le jour
le soleil brille, profitons-en
Je t’attendrai, je t’aime tant
Alors vas-t’en vite si tu veux bien, sans retour

Evidemment, tu l’aimes encore,
Ça crève les yeux mon dieu, Tu l’aimes encore
Mais pour l’instant ferme tes yeux, passe ta main dans mes cheveux

Allez danse mon amour ! Allez danse !
Faisons de nos enfants des droits !
Fait tourner le monde mon amour, fait tourner le monde

Allez danse, danse, retourne-toi
Allez tourne, tourne, ne t’arrête pas
Allez partons vite, si tu veux bien, dès le jour
J’ai manqué d’air je m’en souviens,
Toutes ses années sans toi sans rien
Même mes chansons se baladaient le cœur lourd

Evidemment, tu l’aimes encore,
Ça crève les yeux mon dieu, ça crève les yeux mon dieu
Mon dieu…

Tuesday, October 24, 2006

Prova surpresa de Direito Civil..

Nada como chegar e ter uma prova surpresa em outra lingua.
Nunca amei tanto um dicionario.

Papai Noel sabe que mudei de endereço? (Se nao, fica aqui o aviso.)

Lula vai ganhar mesmo?

Pq a piada do motorista e do cobrador nao se aplica na França?

Qual o sabor do suco de laranja natural?

Chocolate em excesso provoca um desequilibrio ecologico mundial?

Pq meus cadarços sempre se desamarram mesmo tendo laços feitos com tanto esmero?


Perguntas e perguntas...todas elas me enervam...

Wednesday, October 11, 2006

Acorda, acorda...

Joana Francesa
Chico Buarque


Tu ris, tu mens trop
Tu pleures, tu meurs trop
Tu as le tropique
Dans le sang et sur la peau
Geme de loucura e de torpor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda
Mata-me de rir
Fala-me de amor
Songes et mensonges
Sei de longe e sei de cor
Geme de prazer e de pavor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda
Vem molhar meu colo
Vou te consolar
Vem, mulato mole
Dançar dans mes bras
Vem, moleque me dizer
Onde é que está
Ton soleil, ta braise
Quem me enfeitiçou
O mar, marée, bateau
Tu as le parfum
De la cachaça e de suor
Geme de preguiça e de calor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda

Wednesday, October 04, 2006

Uh la la

Frio da muringa. O inverno nem chegou e eu ja consigo nao sentir as pontas de meus dedos. O que pode ser um pouco confuso para digitar. Mas tudo aqui é estranho, acho que nao sou mais capaz de me habituar com a normalidade. Em um lugar onde tudo é diferente, desde o teclado, fechadura, agua!! (elas tem sabores, morango, limao?!, pessego), as meninas todas usam maquiagem de dia e nao da pra faltar aula na faculdade!!! (é oq mais me assusta! rs)
Em meio a tanta loucura, eu que sempre me senti meio ET, me assumo como tal e agora com um adjetivo complementar: FELIZ!